Vajonte, Joelho Ralado e Pedrinhas no Sapato

Na semana passada (na sexta-feira dia 15) para ser mais preciso, eu fui novamente a cidade de Longarone a fim de me encontrar com Irma Felipe, uma senhora brasileira que vive a muitos anos na Itália e roda um Albergo (hotel-restaurante) um pouco mais ao norte da cidade.
Como planejava passar o dia por lá a procura de uma certidão de batismo, na qual ela viria a me auxiliar eu fui sozinho de trem. Saindo de Belluno as 8h41.

Já de início, fui a igreja central da cidade, construída após o Desestre do Vajonte (apenas em inglês) que havia destruído completamente a cidade em 1863.
O padre foi bem prestativo e eu consegui me virar legal com italiano de indio, uma vez que meu domínio no idioma é pior do que em espanhol.
Porém, após algum tempo procurando nos registros antigos, foi confirmado que não havia nada daquela época, por causa do desatre que havia destruído tudo.

Prossegui meu caminho para o Albergo, que eu tinha uma vaga idéia de onde ficava; para tornar tudo mais divertido, não tinha internet no celular para usar o GPS.
Prossegui como pude pelas cal¢adas e desci por uma vila quando não havia mais acostamento algum. Com o tráfego constante, rápido, no qual vários caminhões tinham parte, andar na beirada do asfalto não seria uma boa idéia.

Enfim consegui chegar no Albergo, o primeiro que eu achei no caminho.
Dalí, partimos para Castellavazzo, onde talves pudesse ter algo daquela época, pois faria parte de Longarone na época.
Na comune, nada foi encontrado, havendo registros apenas a partir de 1873. Já na igreja, uma constru¢ão antiga feita em cima de um monte rochoso, também não tivemos muita sorte.
Deixamos os dados com um vizinho e voltamos para o Albergo onde fiquei aguardando até o final da tarde. Infelizmente não tinve retorno algum durante o dia. E no fial retornei a Belluno de mãos vazias.

 

Sábado passou (entrei em contato com Irma mas sem sucesso da parte dela) e no Domingo, o filho da dona da casa onde moro, Alexandre, precisando praticar um pouco de dire¢ão, me pediu para acompanhá-lo no carro (uma vez que sou o único com carteira de motorista).

Saímos da cidade em dire¢ão a Longarone, com o intuito de ver o a Represa do Vajonte e o lago posterior.
A subida pelo lado da montanha não foi muito demorada.

Já no alto, o local em que deveria haver um lago da represa, estava repleto de terra e rocha do monte Toc, que deslizou sobre o lago e fez com que 50.000.000 metros cúbicos de água subissem as paredes da represa.
Prosseguimos mais um pouco até uma pequena na vila, de onde tinhamos uma vista relativamente boa do Lago do Vajonte, um pequeno lago de águas verdes-claras ao qual não tínhamos como chegar mais perto.

O lugar em sí é muito bonito, a montanhas em volta, de rocha partida, onde algumas pessoas “brincavam” de alpinismo.
É um lugar em que tu fica diminuído frente as aos intermináveis alpes.

 

Na segunda-feira eu liguei novamente para o Albergo em Longarone a fim de saber se a Irma conseguira falar com o pároco. Como ainda estava difícil de encontrá-lo, me comprometid de ir lá no dia seguinte.
Até que no final da tarde, fomos jogar bola numa quadra aqui perto.

Estávamos em 4 pessoas, e dividimos relativamente bem o time. O que logo se tornou uma não verdade pois come¢amos a abrir uma boa vantagem.
4 a 1 estava o placar quando meu companheiro de time chutou um pouco forte demais e eu corri para fazer mais um gol.
Consegui, antes de passar da linha pude chutar a bola (gol só de dentro da área). O problema foi que, devido a velocidade, a passada larga e aos espinhos de pinheiro espalhados no chão, não consegui firmar o pé depois de chutar, vindo a cair na quadra e ralar bastante o joelho e mão direita.

Não havia condi¢ões de prosseguir, ainda hoje estou inábil para jogar bola devido ao joelho.
E no dia seguinte tinha que ir novamente a Longarone. Algo que acabou não acontecendo pois também passei mal de noite e na ter¢a-feira ainda estava com o estômago não muito contente.

Na quarta-feira porém, era inadiável.
Fui para esta¢ão como na sexta anterior, a fim de pegar o trem as 8h41. Apenas que eu descobri que aquele horário rodava apenas entre os dias 4 e 17 de julho (isso em todo o ano).
O próximo trem seria as 11h55, antes disso, apenas um ônibus as 10h10.

Já em Longarone, segui o mesmo caminho que no outro dia. As escadas que tive de subir foram particularmente dolorosas dessa vez. Mas elas acabaram quando eu cheguei na frente do Albergo.
Havia porém, um outro problema, ali também acabava qualquer rota possível que eu poderia pegar evitando a estrada. Como eu precisava prosseguir, não tive outra alternativa a não ser ir pelo asfalto.

Por sorte, não passou nenhum caminhão no lado em que me encontrava, não podia dizer o mesmo do outro lado no entanto, e por fim cheguei a igreja. Mas nada de padre. Quando perguntei na vizinhan¢a fui não-muit0-amigavelmente informado a voltar no outro dia.
Dia perdido, viagem perdida, infortúnios findados? Não.

No caminho de ida eu tive de parar para tirar algumas pedrinhas que haviam entrado no tênis direito, justamente o da perna machucada. Tirar o tênis não era um problema, o difícil era colocá-lo novamente sem poder dobrar o joelho. Algo que se repetiu no caminho de volta também.

 

Eu certamente teria mais coisas para contar, melhores detalhes, se não tivesse sido tão pregui¢oso ao ponto de ficar mais de uma semana sem escrever nada.
Fotos: Longarone e Vajonte

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